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M O I S É S
S A n T A N A |
MOISÉS SANTANA
foto AnA Komel Moisés Santan e Maria Alcina - Sessão Extra - (Moisés Santana)
Cantor e compositor baiano radicado em S. Paulo há 15 anos, Moisés Santana retrabalha influências diversas em ritmos como samba, dub, baião, jazz e letras que, muitas vezes, valendo-se de ironia, constrói personagens que habitam o mundo contemporâneo com suas paixões e incertezas. Isso pode ser conferido em seu terceiro CD Terra em Trânsito, que tem participações de Maria Alcina e do ex-Mutante Arnaldo Baptista e vem sendo elogiado pela crítica. Começou a carreira nos anos 80 formando bandas de rock em Salvador. Lançou o primeiro disco, Moisés Santana, em 2002, que recebeu positivas críticas de todo o Brasil e teve uma de suas faixas, Os Dois, gravada por Gal Costa. O CD re|mix re|mexa (2003) trouxe as músicas do primeiro álbum remixadas por DJ Dolores, Instituto, Loop B e outros, e foi um dos três finalistas na categoria Música Eletrônica do prêmio Tim daquele ano. No
repertório músicas próprias como Inteiro, Fineza
e Os Dois, além de novos arranjos para Alegria (Assis Valente e
Durval Maia) e O ouro e a madeira
por Rodrigo Carneiro A terra em trânsito e um mundo em obras: é de uma vertigem social, de um cinismo gélido como combustível da tragédia brasileira, de um diabo solto no país do sol, dos EUA, que Moisés Santana nos fala na faixa-título de seu segundo álbum, Terra em Trânsito. E o faz numa toada groove roqueira, com guitarra funky e distorcida e percussão de furadeira. Esse mesmo tema, não só ele, está em outras das nove composições autorais, com destaque para os manifestos elegantes Inteiro e Gentileza também, e nas quatro versões que vêm direto da memória afetiva setentista - do artista baiano radicado em São Paulo. Uma polifonia de idiossincrasias sonoras mesclada a um discurso de quem ama as palavras. Versões? Cê tá pensando que eu sou loki?, de Arnaldo Baptista, fecha um ciclo que começara no início dos anos 80, quando Santana presidia um fã-clube dedicado aos Mutantes. O discípulo canta com o mestre (vide faixa-multímidia). O reencontro aconteceu em 2003 no projeto Com:tradição (SP). A balada atmosférica Beira-mar é a reverência do cantor ao compositor Ednardo. Sucesso do Conjunto Nosso Samba, O Ouro e a Madeira, de Ederaldo Gentil, é recriada em versão que chega a doer de tão bonita. A carnavalesca Chão da Praça, de Moraes Moreira e Fausto Nilo, é transportada para a cadência da house. No traslado nada se perde, afinal, o carnaval na Praça Castro Alves e o gênero eletrônico vindo de Chicago congregam da mesma fé na dança. Já de próprio punho, Santana evoca rap, samba e dub em Sessão Extra, em dueto com a inspirada Maria Alcina; canta esperançoso o amor na bela Corpo Escrito; sugere a perda da lucidez na não menos amorosa Na Teia e faz brasileiro, interiorano, o blues em Intenção Básica. Isso só para citar alguns dos bons momentos atente ao lirismo de Dínamo e o gracejo extremamente crítico de No Jardim do Mundo.Um sem fim de talentosos colaboradores, sobretudo amigos, destaca-se também em Terra em Trânsito. Músicos e produtores como Teco Fuchs, Arthur Joly (Mugomango), Ricardo Koctus (Pato Fu), João Erbetta (Los Pirata), Alta Fidelidade, Tatá Aeroplano (Jumbo Elektro e Cérebro Eletrônico), Benjamin Taubkin, DJ Tano (Záfrica Brasil), Teco Cardoso, Loop B, Fernando Forni, Luis Bergmann, Gigi Magno, Rogério Bastos, Ricardo Pinda e tantos outros. Uma obra diversa na qual não cabe o aviso de transtorno. por Rodrigo Carneiro
SAIBA +: www.moisessantana.com.br
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